1. FutInter

Dalter Berleze e Inter-SM: Paixão de 890 meses, a história de um torcedor fiel

Por Redação FutInter em 17/02/2026 16:41

A série "Torcedor de Carteirinha" mergulha em histórias de indivíduos cuja devoção aos clubes do Gauchão transcende o simples acompanhamento em campo, destacando aqueles que mantêm sua condição de sócios por longos períodos. As reportagens subsequentes apresentarão personagens que figuram entre os associados mais antigos de cada equipe. Nesta edição, o foco recai sobre a profunda ligação de Dalter Berleze com o Inter-SM.

Ao longo de impressionantes 890 meses, Dalter Berleze demonstrou uma regularidade exemplar, jamais deixando de honrar o pagamento de sua mensalidade como sócio do Inter-SM. Essa lealdade se manteve mesmo durante os períodos em que residiu fora da cidade, ao longo de seus 74 anos. Caso o cobrador não o encontre em seu endereço, ele faz questão de se dirigir pessoalmente ao Estádio Presidente Vargas para efetuar o pagamento de sua contribuição, considerando o local como sua própria morada.

A Primeira Visita ao Estádio

Com os passos incertos de uma criança, Dalter pisou pela primeira vez nas antigas arquibancadas de madeira em 1951. Atualmente, aos 81 anos, ele transita com familiaridade pelas instalações de concreto, nas quais teve participação em sua edificação.

O elo inicial entre o clube e o jovem Dalter foi forjado por um vizinho. Sem ter com quem compartilhar a experiência de assistir a um jogo, e sendo pai de duas filhas, ele estendeu um convite ao pequeno Dalter. Naquela época, a ideia de meninas apreciando futebol causava certa estranheza. O vizinho impôs uma condição: Dalter deveria torcer pelo Rio Grandense, o arquirrival do clube.

?Eu já gostava de futebol. Escutava as rádios do Rio de Janeiro. Fui ao campo e nós ganhamos por 3 a 1. Eu me lembro de dois gols do Tarika?, relata Dalter com exaltação.

A Carreira de Dirigente e a Construção do Clube

Sentado em assentos que ele próprio ajudou a adquirir, Dalter exibe uma camisa que lhe foi presenteada por Donga, um zagueiro que marcou época no clube. Em sua carreira como policial militar, Dalter viajou a Livramento para conduzir um inquérito. Na mesma ocasião, ele tinha duas indicações de jogadores para serem contratados: o zagueiro Donga, vindo do 14 de Julho, e o ponta-direita Sulei, do Grêmio Santanense.

Inicialmente, Donga relutou em mudar de cidade, após vivenciar períodos descontentes em Bagé e Pelotas. Sulei, por outro lado, acolheu a oportunidade com entusiasmo. Dalter providenciou o dinheiro para a passagem de Donga, mas os valores foram utilizados de outra forma. O ônibus que Sulei pegou era para outro destino. Nesse ínterim, Sulei foi negociado com o Cruzeiro, de Porto Alegre.

?Não digo o melhor jogador, mas o Donga é o símbolo do Internacional como jogador.?

Esses eventos ocorreram na década de 1970, período em que o Inter-SM ascendeu à elite do Campeonato Gaúcho e Dalter atuou como tesoureiro na construção do pavilhão social do clube.

?Éramos um grupo muito bacana. Tínhamos uma dedicação grande ao Internacional . Nós demos dinheiro para o clube, para ter ideia da nossa dedicação e da honorabilidade de todo o grupo que pertencia a essa comissão que ajudou a construir isso aqui. Quando nós terminamos, em 1975, sobrou um dinheiro e nós demos para o Internacional ?, revela Dalter.

A Emocionante Jornada Rumo à Primeira Divisão

Um pouco antes desse período, Dalter liderou uma iniciativa memorável: organizou uma caravana para Cachoeira do Sul. O objetivo era garantir uma vitória sobre o São José, o que selaria a inédita ascensão do Inter-SM à primeira divisão gaúcha em 1968.

Com a precisão de quem não hesita em detalhar os fatos, Dalter relata que a comitiva foi composta por 37 ônibus, além de quatro vagões de trem e diversos carros. A viagem de ida foi marcada por celebração; a volta, porém, foi de outra natureza.

?Eu entendo que é recorde... Não mundial, mas com certeza recorde gaúcho. E eu ajudei a fazer isso. Mas o pior não está aí. Nós tomamos conta de Cachoeira e perdemos por 1 a 0?, recorda.

Ele prossegue:

?Depois perdemos para o Rio Grandense 1 a 0. No último jogo, em Santana do Livramento, ganhamos por 2 a 0 e entramos na Primeira Divisão. Sofrido.?

Foram incontáveis as viagens realizadas em seu Ford. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lista 71 estádios no Rio Grande do Sul. Aqueles que Dalter desconhece são aqueles onde o Inter-SM jamais atuou.

?Ah, o meu sentimento é do maior torcedor do clube, sem dúvida nenhuma. O único clube que eu torço. Claro, tenho uma certa tendência a torcer pelo Internacional de Porto Alegre. Mas 95% aqui e 5% lá. Então, é 95% essa camiseta aqui?, expressa emocionado.

São 890 meses de compromisso. O restante se tornou parte da história.

Curtiu esse post?

Participe e suba no rank de membros

Comentários:
Ranking Membros em destaque
Rank Nome pontos